quarta-feira, 13 de maio de 2009

Projeto transforma catadores de lixo em artesãos

Curso, que começa no dia 18, visa humanizar o trabalho de 2.500 pessoas

 


Não há dúvida que o desemprego trás milhares de problemas socioeconômicos e atinge principalmente aqueles que possuem baixa escolaridade e pouca ou nenhuma qualificação técnica. Para muitos "coletar lixo" é uma, senão a única, alternativa. Em Uberlândia, aproximadamente 2.500 pessoas vivem da coleta, garante a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (dados de 2004).

Apesar de ser uma forma de trabalho, o ofício dos catadores é visto como degradante pela sociedade. Basta observar nas ruas, o olhar de desconforto da maioria das pessoas em relação a eles.  Foi o que percebeu Antônio Pedro, diretor do Instituto Ipê Cultural.

 

Um começo solidário

Ele saía da sede do instituto quando se deparou com um homem, por volta de 50 anos, com dificuldade para empurrar o carrinho abarrotado de lixo. Em vez de solidariedade, as pessoas ao redor buzinavam e o xingavam por ele deixar o trânsito lento. Antônio parou para ajudar. Descobriu a história de um homem sofrido que, desempregado, sustentava a família coletando lixo reciclável de sete da manhã às dez da noite. Comovido, o diretor conseguiu um emprego de vigia para ele numa grande empresa da cidade, mas, sensibilizado com a história, decidiu que precisava não só ajudar a mudar a vida de um, mas de todos. "Os catadores são marginalizados e talvez as pessoas gostariam de não vê-los nas ruas. Porém, esses homens e mulheres, mais do que estarem buscando uma forma de inserção no mundo social e do trabalho, realizam uma atividade muito importante para a sociedade e o meio ambiente. E isso nem todos se lembram".

 

Um projeto que nasce do lixo

Aliando a bagagem que tem no desenvolvimento de projetos ambientais, Antônio Pedro decidiu destacar o sentido ecológico da atividade, readequar a logística da coleta e elevar os "catadores do lixo" à condição de artesãos.

"Nossa intenção é, pouco a pouco, com a conscientização da população, poupar o catador de um trabalho desumano, de puxar carrinhos pesados como um animal. Queremos estimular as pessoas a separar o seu lixo. Conseguimos a doação de veículos por empresas da cidade e assim, vamos buscar os recicláveis em pontos de coleta. Quem antes catava, agora vai selecionar o lixo e transformá-lo em objetos úteis. Para isso, buscamos experiências onde já haviam projetos bem-sucedidos", explica.

O resultado foi a Oficina de Reciclagem, que começa na próxima segunda, 18 de maio, às 8h, na sede da Associação dos Recicladores e Catadores Autônomos (ARCA). A primeira turma já está formada com cerca de 10 pessoas inscritas. Com carga horária diária de oito horas e duração de sete meses, o curso será ministrado pelo designer da grife Viva Gaia, Otávio Oliveira e pela artista plástica, Adriana Honório. Ambos participaram recentemente de uma oficina exclusiva com a artesã Miriam Mitsuko Utsumi, em São Paulo. 

De acordo com o diretor do Ipê Cultural, Antônio Pedro, os agentes (nova nomenclatura que os catadores irão adotar) vão adquirir o conhecimento necessário para transformar plástico pet em produtos úteis no dia a dia. "Serão vários tipos de objetos, como: lixeiras, brinquedos, protetores de livro, bolsas, sacolas, vassouras, porta papéis, luminárias, forros para cadeira, biombos e dentre muitos outros", ressalta. Alguns dos produtos confeccionados nos cursos serão doados para escolas municipais de Uberlândia. "Com este gesto o Ipê Cultural chama a atenção para a para a necessidade de respeitar as pessoas e o planeta em que vivemos, além de promover a capacitação dos catadores, pois a nova atividade vai humanizar o trabalho deles, muito sacrificado e pesado", conclui Antônio.

 

O projeto tem o apoio da prefeitura de Uberlândia, do Núcleo de Coleta Seletiva de Uberlândia e da ARCA, e é uma extensão do Projeto Animais do Cerrado em Extinção, que conta com uma coleção de camisetas, desenvolvida sob os conceitos de Cultura Verde e tendo como matériaprima o PET reciclado.

 

Saiba mais sobre os catadores de lixo

Uma pesquisa realizada em Uberlândia e publicada pelo Centro de Estudos Sobre Intolerância, revela que:

 

  • 70% são homens, 30% são mulheres
  • 68% dos catadores têm idade superior a 30 anos, concentrando-se na faixa etária adulta da vida.
  • 45% atuam como catadores por causa do desemprego.
  • 91% possuem dependentes de sua renda.
  • 60% obtêm renda média de um salário mínimo, ao passo que os demais não ultrapassam os quatro salários mínimos.
  • 90% deles passaram a coletar lixo para suprir as necessidades básicas.
  • 32% declararam que catam lixo para sobreviver e também por que acreditam que isto preserva o meio ambiente.
  •  81% deles declaram separar o lixo de suas próprias casas, o que ao menos demonstra que a própria atividade serviu para estabelecer neles uma nova cultura.
  • 55% sabem o destino do material que coletam nas ruas e 45% não sabem o destino do lixo.
  • 56% são de Uberlândia, sendo os demais migrantes provenientes de áreas rurais e das regiões Norte e Nordeste do país.
  • 25% são analfabetos
  • 37% cursaram até o ensino básico
  • 32% fizeram até o ensino fundamental
  • 6% até o ensino médio

A pesquisa ouviu 53 catadores e foi executada no período de 15 de Agosto a 30 de Outubro de 2004, no centro da cidade e nos bairros: Brasil, Santa Luzia, Tibery, Santa Mônica, Planalto, Daniel Fonseca e Jaraguá.

 

Serviço

 

O que: Oficina de Reciclagem de Lixo

Quando: 18 de maio

Horário: 8h

Onde: ARCA (Associação dos Recicladores e Catadores Autônomos) - Rua Thomazinho Rezende, 2001 - Daniel Fonseca

 

 


Lead Comunicação – Assessoria de imprensa Instituto Ipê Cultural

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