domingo, 18 de abril de 2010

SES implanta Protocolo de Manchester em Uberlândia

UBERLÂNDIA (15/04/10) - A partir desta semana, os usuários de Uberlândia já podem perceber algumas mudanças no atendimento oferecido na rede de atenção primária à saúde. Ela está mais ágil, unificada e padronizada devido à adoção do Protocolo de Manchester e de sua principal ferramenta de operacionalização - a informatização pelo software Alert. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) investiu R$ 48 milhões na aquisição do programa. O protocolo tem o objetivo de estabelecer um tempo de espera pela gravidade e risco, e não pela ordem de chegada, como acontecia anteriormente.

Na cidade, a informatização está sendo gradual. Começaram com um piloto na Unidade de Atendimento São Jorge e nos Programas da Saúde da Família São Gabriel e São Jorge II. As unidades mais maduras estão recebendo o programa Alert, segundo o secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge de Souza Marques. "Uma das frentes do protocolo é unificar. Com a informatização, todo trabalho na Urgência e Emergência ficará livre do papel. É um avanço que impacta na gestão e na qualidade para o usuário", explicou o secretário durante visita a Unidade de Atendimento Integrado (UAI) São Jorge.

Em Minas Gerais, o Protocolo de Manchester foi implantando no Norte de Minas e na Região Metropolitana de Belo Horizonte e agora chega ao Triângulo Mineiro. No dia a dia, os trabalhadores de saúde já sentem a diferença no atendimento. A enfermeira responsável pela UAI São Jorge, Jeane Espinosa relatou que aprendeu rapidamente a manusear o Alert. "É um programa de fácil entendimento, nós objetivamos o acolhimento e influenciamos no atendimento médico", ressaltou.

Impactos do Protocolo

Os impactos já são avaliados pela SES. Após a implantação do Protocolo de Manchester na rede de urgência e emergência, houve uma redução global de morte por causa indeterminada, que antes eram 30% e hoje está em 21%. Para o coordenador estadual de Urgência e Emergência, Welfane Cordeiro Júnior, o maior impacto da classificação de risco está no atendimento nos hospitais, "foi criada uma referência de atendimento. Nos hospitais são atendidos os casos mais graves. Na implantação do Protocolo, eram atendidos nos hospitais de 50% a 70% de usuários classificados como pouco ou muito urgente. Hoje, este número diminui para 30% a 40%. Os atendimentos dos casos urgentes e muito urgentes estão mais rápidos", ressaltou. Já o secretário Antônio Jorge destacou que estabelecer tempo no atendimento, gera impacto direto na mortalidade e "Minas Gerais é o primeiro estado a ter toda a rede informatizada na classificação de risco".

Com a adoção do Protocolo de Manchester na Atenção Primária em Uberlândia, o próximo passo é que os hospitais também sejam incorporados, como explicou o coordenador das UAIS em Uberlândia, Marco Túlio Ferreira. "É importante que toda rede de atenção à saúde esteja integrada e utilizando o mesmo protocolo de classificação de risco. A ideia é trabalhar em rede e definir qual é a competência de cada atenção".

Para o coordenador, o uso do software Alert para fortalecer o protocolo tem duas vantagens. A primeira é o monitoramento do tempo de classificação e do atendimento médico. O segundo é o banco de dados, com informações, histórico do paciente e integrado a toda rede de atenção à saúde. "Estamos adotando o Protocolo de Manchester na rede de atenção primária para que, quando o Hospital de Uberlândia for inaugurado, as portas de entradas que serão a UAIS façam a triagem e encaminhem corretamente os casos de risco grave para os hospitais".

Hospital de Uberlândia

O secretário também fez visita técnica às obras do Hospital de Uberlândia. Ele tem data prevista de inauguração, que é o segundo semestre de 2010. Foram investidos R$ 28 milhões pelo Governo de Minas. "Serão 258 leitos que irão desafogar o Hospital de Clínicas da Universidade e irá atender a toda região", pontuou o secretário.

Além do recurso já conveniado, o secretário também se comprometeu a fortalecer o Protocolo de Manchester no Hospital e informatizá-lo com o Alert, "estamos comprometidos a buscar recursos no governo estadual para informatizar o Hospital de Uberlândia. Muitos hospitais deste mesmo porte não têm o que será oferecido em termos de tecnologia, humanização, equipamentos e acolhimento ao usuário. A população pode ficar orgulhosa. É um hospital para atender a todas as classes sociais", explicou.

São 40 leitos de UTI adulto, 10 para UTI Neonatal, 16 para cuidados intermediários neonatal, 51 leitos para atender à maternidade, 45 para a pediatria e 96 para demais internações. O Hospital também vai disponibilizar as especialidades de Urologia, Otorrinolaringologia, Ortopedia, Saúde Bucal, Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Ginecologia e Obstetrícia, além dos exames de tomografia, ressonância e ultrassom.

Agência Minas

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